sábado, 6 de agosto de 2022

 

Prótopia : A Realidade do Virtual no Espetáculo do Metaverso  

 

"Tenha coragem de fazer uso de teu próprio entendimento, tal é o lema do esclarecimento.” - Immanuel Kant

 

O curso convida os participantes a desmistificarem ilusões produzidas pelo “espetáculo da realidade”, ou o real como nos é apresentado pela mídia, através de questionamentos fundamentais da filosofia e de abordagens inovadoras para velhas polêmicas. O objetivo é o de aumentar os horizontes do aluno, alargar sua percepção e compreensão da realidade.  

 

Sapere aude é ousar saber e questionar o que se sabe.

Começar já é a metade do caminho.

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4 aulas de 2 horas cada

 

Aula 1: A História da Verdade - Mitologia, Filosofia, Ciência

Aula 2: Red Pill x Blue Pill – o amante da dura verdade e a ilusão útil e motivacional

Aula 3: LGBTQIA+ e Teoria Queer, Lugar de fala e outras inversões políticas notórias

Aula 4: Liberdade de Expressão no Contexto do Metaverso : Kant, Lacan e a colisão de universos

 

O curso é destinado a pessoas interessadas em questionar a realidade e encarar novas possibilidades interpretativa, a partir da discussão de ideias intrigantes e, eventualmente, polêmicas. Pré-requisitos: abertura e disposição para ouvir sem preconceitos e experimentar novos paradigmas, apresentados educadamente e com transparência.

 

Horários: Entre 16-22:00 preferencialmente. Só não posso quarta e sábado nesses horários.  Pode ser em outro horário se precisar, esta é apenas minha preferência.

 

- palavras-chave: protopia, realidade, metaverso, realidade virtual, Kant, Chomsky, Morin, Platão, Heidegger, LGBTQIA+, humanidades, diversidade, inclusão, filosofia, sociologia, ciência, queer theory, antropologia, sociologia, filosofia, sapere aude, Escola de Frankfurt, Lacan, Zizek

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- roteiro para o vídeo:

* Se apresentar: Olá, sou Rodrigo Ferrari, Filósofo e Mestre em Sociologia, ambos pela PUC-SP. Professor, escritor, e criador de vídeos e transmissões ao vivo para para YouTube e TwitchTV , gamer

* Apresentar o curso:

O curso Protopia II – Metaverso do Real e temas proibidos é um convite para o questionamento da realidade e do próprio conceito do que seria real.

Vamos discutir ideias polêmicas de grandes pensadores como Kant, Marx, Chomsky, Morin, e conversar abertamente sobre temas que vêm sendo cancelados nas mídias, redes sociais, ambientes de trabalho e até familiares.

Não espero que vocês gostem das ideias, do curso ou mesmo deste que vos fala.

Quase ao contrário. 

Meu desejo é que, ao final de nossos quatro encontros, não encontremos mais conforto nas Utopias e Distopias ou em qualquer outra definição de mundo que pareça razoável.

A realidade não é confortável e nem cabe em definições forjadas para atender interesses superestruturais.

Vamos dar um passo na direção do esclarecimento, na visão de Kant, para sair de nossa minoridade.

Os corajosos serão muito bem vindos.

 

 

Nqozuyegezgy Qqloq qsudqudshq QLOQ QIS

quinta-feira, 7 de julho de 2022

Perguntas ao Rui Costa Pimenta do PCO


leninismo. voce sabia que direitistas como steve bannon ja estao se declarando leninistas por ai, ao mesmo tempo em que jornalistas ate da fox news (tradicionalmente um veiculo da direita mainstream menos cerebral), como tucker carlson, estao se apropriando de ideias da "esquerda raiz" pra "mitar" seletivamente (mesmo que seja demagogia com frequencia)? parece claro que existe hoje um cenario de aliancas pragmaticas possiveis entre o que a grande midia chamaria de extrema esquerda e extrema direita, me parece, a julgar pela demonizacao de ambos no discurso publico. Parece mais ainda agora que voce mesmo, reconhecido ha muito tempo como "ala extrema da esquerda", esta inaugurando a temporada de uso dos mecanismos do establishment contra esquerdistas, ainda que um esquerdista `controverso` . nos conte desse `cancelamento` ai que voce vem sofrido e nos fale sobre o que acha de uma possivel terceira via reversa que una os dissidentes de direita e os dissidentes de direita

Sera que surgira uma forca dissidente sob a qual esses dois eextremos possam se unir, de preferencia ... nao da maneira como foi feito entre a primeira e a segunda guerra? uma outra via hibrida de combate ao internacionalismo neoliberal eh possivel fora do fascismo, do comunismo ou do anarquismo? 

troskismo x stalinismo / globalizacao x nacionalismo : a questao da mao de obra, do exercito de mao de obra de reserva, etc. quando alguns paises 

- revolucao permanente

- revolucao internacional trotskista x fortalecimento interno stalinista

exercito de mao de obra de reserva, mao de obra oriental x direitos trabalhistas no contexto da globalizacao

- liberdade de expressao eh uma conveniencia que historicamente flutua, ciclando algozes e vitimas sob a lógica da pura força, da "conveniência do mais forte"? 

  - direitos de `honra` , vantagens e desvantagens do anonimato na internet , difamacao online, militancia paga (nos eua ja eh normal e todos sabem que existe nas ruas, aqui no brasil ja esta assim? eu sei que na internet ja da pra comprar cancelamento por exemplo)

minha impressao - direita usa religiao e nacionalismo como marketing, esquerda usa mulheres e negros, mas na pratica eh tudo liberal . como voce ve isso? estariam eles fadados a agir como liberais uma vez sentados em seus acentos na liberal-democracia?


quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Relatório de Leitura - DETIENNE, Marcel: Os Mestres da Verdade na Grécia Arcaica

 Relatório de Leitura

DETIENNE, Marcel: Os Mestres da Verdade na Grécia Arcaica

(original de 1967 no francês, tradução Andréa Daher (1988), Zahar RJ)


I: Verdade e Sociedade

p.13

“É possível, então, perguntar-se se a verdade como categoria mental não é solidária a todo um sistema de pensamento, se não é solidária à vida material e à vida social.”


A forma como determinados pensadores concebem a palavra “verdade” é obviamente sujeita a mudanças que, como com qualquer conceito, dependem do contexto histórico em que ele é utilizado; consequentemente, está atrelada às mudanças políticas pelas quais a região que faz uso da palavra em questão passa. 


Ao passar por tais mudanças históricas os conceitos parecem ainda carregar consigo seu passado; ou seja, mesmo que a verdade dos antigos tenha uma definição bem diferente da nossa, seus fundamentos são próximos. As raízes do termo manifestam-se nele ainda hoje, mais precisamente talvez porque o pensamento ocidental depende tanto de Platão e Aristóteles (de Parmênides, que ecoa até em Shakespeare) que a relação mais estreita destes com a Alétheia original e o pensamento mítico 'contamina' até as mais modernas definições de verdade da filosofia ocidental.


Nas palavras do autor “...detectar nos aspectos de continuidade que tecem uma trama entre o pensamento religioso e o pensamento filosófico, as mudanças de significação e as rupturas lógicas que diferenciam radicalmente as duas formas de pensamento”. (p.14)


II: A Memória do Poeta (Alétheia e mântica)

p.23

“...o poeta é sempre um “Mestre da Verdade”. Sua “Verdade” é uma “Verdade” assertórica: ninguém a contesta, ninguém a contradiz. “Verdade” fundamental, diferente de nossa concepção tradicional, Alethéia não é a concordãncia da preposicão e de seu objeto, nem a concordância de um juízo com os outros juízos; ela não se opõe à “mentira”. Nao há o “verdadeiro” frente ao “falso”. A única oposição significativa é a de Alétheia e de Léthe. Nesse nível de pensamento, se o poeta está verdadeiramente inspirado, se seu verbo se funda sobre um dom de vidência, sua palavra tende a se identificar com a “Verdade” ”


Em primeiro lugar: Léthe é definida como “o esquecimento dos homens” (p.22); “a palavra cantada, pronunciada por um poeta dotado de um dom de vidência, é uma palavra eficaz; ela institui, por virtude própria, um mundo simbólico-religioso que é o próprio real” (p.17). É importante notar que o autor associa o valor e importâcia da palavra cantada “ao fato de que, do século XII ao século IX, a civilização grega fundava-se não sobre a escrita, mas sobr as tradições orais” (p.16). 


Neste capítulo começa uma série de associações metafóricas e metonímicas de suma importância para a compreensão da trama de significados que cercam a Alethéia (visto que a sua definição não ocorre da mesma forma que na modernidade ocidental, objetivamente e ativamente, mas, aparentemente, por relação): “o campo da palavra poética parece estar polarizado por estas duas potências religiosas: por um lado, a Censura, por outro lado, o Louvor. No meio, o poeta, árbitro supremo...O campo da palavra poética poética se equilibra pela tensão de potências que se correspondem duas a duas: de um lado, a Noite, o Silêncio, o Esquecimento; do outro, a Luz, o Louvor, a Memória” (p.20). 


No sentido de esclarecer o sentido de memória: “A 'Memória', com efeito é quase sempre um privilégio que o poeta concede, propriamente, aos vivos... a Memória possui, então, um duplo valor: ela é, por um lado, o dom de vidência que permite ao poeta dizer uma palavra eficaz, formular a palavra cantada. Por outro lado, esta mesma palavra cantada é uma palavra que não deixa de ser e identificar-se com o Ser do homem cantado” (p.21).


III: O Ancião do Mar (Alétheia e Díke) 

p.32

“Como o poeta, como o adivinho, o rei é “Mestre da verdade”. Em todos estes domínios de pensamento, a “verdade” está sempre ligada a adeterminadas funções sociais; ela é inseparável de determinados tipos de homem, de suas qualidades próprias e de um plano do real definido pela função que desempenhavam na sociedade grega arcaica”


Neste capítulo nos é apresentada com mais precisão a outra figura que desfruta do privilégio de veicular Alétheia: o rei. Assim como no poeta aparece a memória no auxílio da compreensão dessa noção de verdade, no rei aparece a justiça. Se o poeta não cantar algo (e propriamente cantá-lo), este algo não “aconteceu” verdadeiramente – não será lembrado, não será preenchido pelo Ser da memória. Da mesma forma, se o rei não promulgar de acordo com os rituais praticados corretamente, não foi justo. A justiça não parece ser uma questão de estrita proporção como aparece depois em Platão e afins, mas algo que se manifesta “necessáriamente” através do rei justo, que é justo só na medida em que observa com precisão os critérios da ordália. A verdade, a justiça, a memória, acontecem.


Mais precisamente, no texto: “A Alétheia é, de fato, a “mais justa” de todas as coisas. Fundamentalmente, sua potência é a mesma da Díke: a Alétheia 'que conhece todas as coisas divinas, o presente e o futuro” responde à Díke “que conhece em silêncio o que vai acontecer e o que já se passou'. Neste nível de pensamento, não há nenhuma distância entre a Verdade e a Justiça. A potência de Alétheia abrange, portanto, um duplo domínio: mântica e justiça” (p.25). 


O autor prossegue com vários exemplos ordálicos (como a prova de voltar do mar, de onde só se volta com consentimento dos deuses, e a ordália da balança), e reitera a relação da verdade com elementos históricos, religiosos “O rei leva na mão o cetro, prova e instrumento da autoridade: em virtude deste bastão, emite thémistes, decretos, julgamentos que são como oráculos” (p.29).


Enfatiza, depois da relação direta entre verdade e justiça, a relação entre verdade e memória: “Alétheia, é, de fato, um tipo de doblete de Mnemosýne. A equivalência entre as duas potências pode se estabelecer sob três pontos. Equivalência de significado: Alétheia possui o mesmo valor que Mnemosýne; equivalência de posição: no pensamento religioso, Alétheia é, como Mnemosýne, associada a experiências de mântica incubatória*; equivalência de relação: ambas são complementares a Léthe. A equivalência de significação é a mais manifesta: como Mnemosýne, Alétheia é um dom de vidência; é uma onisciência, como a Memória, que engloba passado, presente e futuro.” (p.31)


Com isso, podemos entender o seguinte trecho: “Quando o rei preside a ordália, quando pronuncia as sentenças de Justiça, goza, assim como o poeta e o adivinho, de um privilégio de memória, graças ao qual ele se comunica com o mundo invisível. Neste plano de pensamento em que o político interfere no religioso e a adivinhação mistura-se com a justiça, a Alethéia define-se, como no plano poético, por sua complementaridade fundamental em relação a Léthe...As 'provas' da Justiça são de caráter ordálico, o que quer dizer que não há sinal de uma noção positiva da prova” (p.32)


IV: A Ambiguidade da Palavra (a “lógica da contrariedade”)

p.43

“Alétheia está, portanto, no centro de uma configuração que organiza a oposicão maior de Memória e Esquecimento. A este par fundamental correspondem pares particulares, tais como Louvor e Censura, ou pares mais gerais, como Dia e Noite. Mas, no campo da palavra mágico-religiosa onde funciona a oposição de Alétheia e de Léthe, a Alétheia está articulada à Dike e as duas potências complementares, Pístis e Peithó. É através desta última que se insinua a ambiguidade que lança uma ponte entre o positivo e o negativo. A nível do pensamento mítico, a ambiguidade não apresenta problemas, visto que todo este pensamento obedece a uma lógica da contrariedade, da qual a ambiguidade constitui um mecanismo essencial”


A primeira parte da afirmação diz respeito ao que já foi explicado nos outros capítulos. Sobre Pístis: “...é tradicionalmente a confiança que vai do homem a um deus ou à palavra de um deus; é a confiança nas Musas, fé no oráculo...frequentemente ligada ao juramento... parece marcar um tipo de adesão íntima do indivíduo, parece ser o ato de fé que autentica a potência da palavra sobre o outro” (p.37). Ela aproxima-se de Peithó porque este é “...a potência da palavra tal como se exerce sobre o outro, sua magia, sua sedução, tal como o outro a experimenta”. 


A questão aqui é complicada, mas evidencia essa “lógica da contrariedade” de que Detienne fala no fim do capítulo. Os termos possuem formas negativas e positivas no sentido símbolico dos termos; uma forma “má” e uma forma “boa” que juntas formam a palavra, o termo: “Ao lado da boa Peithó que acompanha os Reis sábios, existe uma outra, que 'faz violência'... A malvada Peithó é inseparável das “palavras carinhosas”....que são os instrumentos do engano, as armadilhas de Apáte. Através de um de seus aspectos, Peithó, tão estreitamente articulada à Alétheia, relaciona-se com potências negativas que são da mesma espécie de Léthe” (p.38)


Prossegue desvelando mais camadas de 'ambiguidade': “...de fato, não há Alétheia sem uma parte de Léthe. Quando as Musas dizem a “Verdade”, anunciam, ao mesmo tempo, o “esquecimento das desgraças, a trégua às preocupações... Aquilo que para o poeta é memória para outro é esquecimento... Léthe não é aqui a espessa obscuridade; é a sombra, a sombra que encerra a luz, a sombra de Alétheia... Ao Esquecimento-Morte opõe-se o Esquecimento-Sono [como Thanatos e Hýpnos], ao Esquecimento negativo corresponde o Equecimento positivo” (p.40). 


Ou seja, concluindo a explicação e no sentido do que já foi explicado: “Não há, portanto, de um lado Alétheia (+) e do outro Léthe (-), mas, entre estes dois polos, desenvolve-se uma zona intermediária, na qual Alétheia se desloca progressivamente em direção a Léthe, e assim reciprocamente. A “negatividade” não está, pois, isolada, colocada à parte do Ser; ela é um desdobramento da “Verdade”, sua sombra inseparável. As duas potências antitéticas não são, portanto, contraditórias, tendem uma à outra; o positivo tende ao negativo, que, de certo modo, “o nega”, mas sem o qual não se sustenta. Trata-se, entãode nuançar as afirmações precedentes e de mostrar que nem o rei de justiça, nem o poeta são, pura e simplesmente, “mestres da verdade”, mas que sua Alétheia está sempre recortada por Léthe e desdobrada por Apáte” (p.41).


Enfim, para elucidar o que virá nos próximos capítulos, parecem especialmente relevantes estas afirmações:


“... a ambivalência começa a 'constituir problema' em um pensamento que não é mais mítico e que não é ainda racional, um pensamento que é, de algum modo, intermediário entre a religião e a filosofia” (p.44)


“Se procurarmos formular a problemática imanente, de algum modo, a uma concepção da palavra em que a ambiguidade é um caráter fundamental, podemos dizer que a ambiguidade da palavra é o ponto de partida de uma reflexão sobre a linguagem como instrumento que o pensamento racional desenvolverá em duas direções diferentes: por um lado, o problema da potência da palavra sobre a realidade, questão essencial para toda a primeira reflexão filosófica; por outro lado, o problema da potência da palavra sobre o outro, perspectiva fundamental para o pensamento retórico e sofístico. Alétheia situa-se, portanto, no coração de toda a problemática da palavra na Grécia arcaica: as duas grandes potências vão se definir em relação a ela, seja rejeitando-a, seja fazendo dela um valor essencial” (p.44).


V: O Processo de Laicização


“... a palavra-diálogo é laicizada, complementar à ação, inscrita no tempo, provida de uma autonomia própria e ampliada às dimensões de um grupo social. Este grupo social é formado pelos homens especializados na função gtuerreira, cujo estatuto particular parece prolongar-se desde a época micênica até a reforma hoplita, que marca o fim do guerreiro como indivíduo particular e a extensão de seus privilégios ao cidadão da Cidade.” (p.45)


Essa laicização parece se operar primeiramente através de costumes dos guerreiros, como evidencia estas passagens:


“Um dos privilégios do homem de guerra é o seu direito de palavra. A palavra não é mais, nesse momento, o privilégio de um homem excepcional, dotado de poderes religiosos. As assembléias são abertas aos guerreiros, a todos aqueles que exercem plenamente o ofício das armas. Esta solidariedade entre a função guerreira e o direito de palavra, atestada pela Epopéia, encontra-se igualmente confirmada nos costumes das cidades gregas arcaicas, onde a assembléia do exército é o substituto permanente do povo, como, por exemplo, nos costumes conservadores da assembléia macedônica...” (p.50)


“Palavra-diálogo, de caráter igualitário, o verbo dos guerreiros é também de tipo laicizado. Inscreve-se no tempo dos homens. Não é uma palavra mágico-religiosa que coincide com a ação que institui em um mundo de forças e potências: ao contrário, é uma palavra que precede à ação humana, que é seu complemento indispensável. Antes de levar a cabo qualquer empresa, os aqueus reúnem-se para deliberar.” (p.51)



“...é nas práticas institucionais de tipo político e jurídico que se opera, durante os séculos VI e VII, um processo de secularização das formas de pensamento”. (p.53)


“Reforma hoplita e nascimento da cidade grega, solidárias em si mesmas, não podem ser separadas da mutação intelectual mais decisiva do pensamento grego: a construção de um sistema de pensamento racional que marca uma ruptura manifesta com o antigo pensamento religioso, de caráter global, onde uma mesma forma de expressão abrange diferentes tipos de experiência” (p.53)


Fica claro, portanto, que a própria estrutura das cidades gregas está ligada a esses costumes militares que emprestam o modelo de isonomia à relação dos homens com a palavra; de forma que, ao que nos parece, há espaço sistemático para diálogo. Mas o autor não diz isso. Escreve:


“Neste quadro geral, onde o social e o mental interferem constantemente, opera-se a laicização da palavra, que se efetua em diferentes níveis: através da elaboração da retórica e da filosofia, e, também através da elaboração do direito e da história.” (p.54); “A eficácia mágico-religiosa converteu-se em ratificação do grupo social. É o ato de óbito da palavra mágico-religiosa” (p.54)


Enfim, prepara caminho para o tema do próximo capítulo:


“Uma reflexão sobre a linguagem elabora-se em duas grandes direções: por um lado, sobre o lógos como instrumento das relações sociais; por outro, sobre o lógos como meio de reconhecimento do real.” (p. 55)


VI: A Escolha: Alétheia ou Apáte


Neste capítulo o autor estabelece a relação entre a secularização da memória e a desvalorização da Alétheia, bem como sua nova articulação com Léthe: passando do modelo seguido pela tradição micênica (religioso) para o modelo das seitas filosófico-religiosas – que carregam consigo muito dessa tradição mas não deixam de nitidamente romper com ela; segue mostrando como este modelo também se opõe ao dos sofistas com relação à Peithó, exemplificando com Simônides e Górgias a contraposição entre a via das Doxai e a via de Alétheia. Também evidencia como o modelo dos sofistas se distancia do modelo religioso. 


Apresenta em seguida a via de Parmênides e o que a distingue da das seitas filosófico-religiosas: se nessas Alétheia se opõe absolutamente a Léthe, à Apáte na forma de uma escolha, “no sistema de Parmênides a mesma escolha já não é mais exclusiva, suas nuanças variam conforme as exigências da discussão. A oposição radical se situa entre o Ser e o Não-Ser, e não mais entre Alétheia e Apáte.” (p.72)


Selecionamos algumas citações que desenvolvem cada um desses tópicos:


“Afirmando-se como um mestre de Apáte, Simônides parece rejeitar categoricamente a antiga concepção religiosa do poeta, profeta das Musas, mestre de Alétheia. (…) Não é mais a Alétheia que triunfa, ele dá lugar (…) à doxa. Mas a desvalorização de Alétheia não é inteligível, a não ser em sua relação com uma inovação técnica, que é um outro aspecto fundamental da secularização da poesia empreendia por Simônides. Toda uma tradição atribui-lhe a invenção da mnemotécnica. (…) Até Simônides, a memória era um instrumento fundamental para o poeta: era uma função de caráter religioso que lhe permitia conhecer o passado, o presente, o futuro. De uma vez por todas, através de uma visão imediata, através da memória, o poeta entrava no além, atingia o invisível. Função religiosa, a memória do poeta era o fundamento da palavra poética e o estatuto privilegiado do poeta. Com Simônides, a memória torna-se uma técnica secularizada, uma faculdade psicológica que cada um exerce mais ou menos segundo regras definidas, regras postas ao alcance de todos. Não é mais uma forma de conhecimento privilegiada (…) : é um instrumento que contribui para o aprendizado de um ofício.” (p.57)


“O sofista é, portanto, um tipo de homem muito próximo do <<político>>, daquele que os gregos chamam (…) [phronimos]: eles têm em comum um mesmo campo de ação e uma mesma forma de inteligência. São homens que se enfrentam diretamente com os assuntos humanos, ou seja, com este domínio <<onde nada é estável>>, e onde, para falarmos como Aristóteles, <<cabe aos próprios atores dar conta da oportunidade [kairos] que têm, como é o caso na arte médica e de navegação. O domínio do político e do sofista constitui, portanto, um plano de pensamento que se situa no pólo oposto àquele que o filósofo reivindica como sendo seu desde Parmênides: o plano da contingência, a esfera do kairos, este kairos que não pertence à ordem da epistéme, mas à ordem da doxa. É o mundo da ambiguidade” (p.61-62)


Mas, neste nível também, como em Simônides, a antiga relação de Alétheia com a Memória como função religiosa está definitivamente rompida: para os sofistas, de fato, a memória não é mais do que uma função secularizada cujo desenvolvimento é indispensável para esta forma de inteligência, trabalhada tanto na sofística quanto na política (p.63)


Se as técnicas mentais da sofística e da retórica marcam uma ruptura manifesta com as formas de pensamento religioso que precedem ao advento da razão grega, as seitas filosófico-religiosas, ao contrário, colocam em ação procedimentos e modos de pensamento que se inscrevem diretamente no prolongamento do pensamento religioso anterior. (p.63)


O universo espiritual das seitas filosófico-religiosas é um mundo dicotômico onde a ambiguidade cedeu lugar à contradição. (p.66)


A evolução de Alétheia nos meios filosófico-religiosos é, portanto, autêntica e complementar daquela que se esboça de Simônides aos sofistas. Antitética, porque a Alétheia representa, dentre os primeiros, o mesmo papel absoluto que Apáte no pensamento dos segundos. Mas também complementar, porque, para uns positiva e para outros negativamente, a relação de Alétheia com a memória, como função religiosa, revela-se necessária, estrutural. (p.67-68)


Apesar do corte que separa radicalmente uma lógica da ambiguidade de uma lógica da contradição, a continuidade, de fato, parece perfeita em pontos essenciais: no plano de pensamento das seitas filosófico-religiosas, como no do poeta, do adivinho e do rei de justiça, a memória permanece como um valor fundamental, e o mago é um “mestre da verdade” assim como o vidente e o rei de justiça. (p.68)


Se a Alétheia representa um papel capital em seu sistema de pensamento [ o de Parmênides], é porque a filosofia parmenídica é uma filosofia do Ser. Em Parmênides, a questão do Ser surge na problemática das relações entre a palavra e a realidade, problemática que se coloca nos termos de Alétheia e Apáte: no momento em que a distância se insinua entre as palavras e as coisas, o filósofo que está à espreita do Ser, procura distinguir, na linguagem, o estável do não-estável, o permanente do fluente, o <<verdadeiro>> do <<enganoso>>  [com referência a Alétheia e Apáte] (p.70)


VII: Ambiguidade e Contradição

Neste capítulo Detienne basicamente reforça o que foi dito nos capítulos anteriores de forma a “amarrar” os capítulos diretamente:


“Do rei de justiça ao filósofo mais abstrato, a <<verdade>> continua a ser o privilégio de determinados tipos de homem.” (p.73)


Detienne reitera que apesar da nítida mudança do pensamento mítico ao pensamento racional, há uma certa continuidade evidenciada por determinadas afinidades. 


“Desde sua aparição, o filósofo toma o lugar destes tipos humanos: assim como eles, como uma continuação dos magos e dos indivíduos extáticos, o filósofo pretende atingir e revelar uma <<verdade>>(...) Ainda aqui, o inquérito racional, tanto da filosofia quanto da sofística, desenvolve-se dentro de um quadro definido pelo pensamento religioso. (…) Ainda que, por determinados aspectos próprios, Alétheia seja, no seio do pensamento racional, um dos termos que marca mais claramente uma certa linha de continuidade entre a religião e a filosofia, ela é também, no seio do mesmo pensamento, o signo mais específico da ruptura fundamental que separa o pensamento racional do pensamento religioso” (p.73).





Termina o texto com esta bela colocação que une o que foi dito por várias afirmações ao longo de muitas páginas em uma única afirmação:


“Para que a Alétheia religiosa se tornasse conceito racional, foi preciso que se produzisse um fenômeno maior; a secularização da palavra, cujas relações com o advento de novas relações sociais e de estruturas políticas inéditas são inegáveis. Para que fosse sentido, para que se pudesse formular a exigência de não-contradição, foi necessário também, sem dúvida, o peso de um outro grande feito social: a instituição, na prática jurídica e política, de duas teses, de dois partidos, entre os quais a escolha era inevitável” (p.74) 


Resta-me apenas dizer que não fui plenamente convencido de que há uma secularização tão profunda da palavra do pensamento mítico para o filosófico. A secularização da palavra me parece o que faz o sofista, mas não o que faz o filósofo. Para mim, o pensamento filosófico é o próprio pensamento mítico, apenas travestido e submetido a uma mudança de apresentação; passou maquiagem, botou saia e passou a falar fino. Mas seu cromossomo ainda é o mítico. No entanto, pode ser apenas uma interpretação absurda.










quinta-feira, 29 de abril de 2021

Notas para Aula

 INTRO, PANO DE FUNDO: O NASCIMENTO DO OCIDENTE NA GRÉCIA ANTIGA: FAMÍLIA, TERRAS E GUERRAS


1. CONTAR HISTORINHA DO MESTRADO: ESTUDAR A CRISE DA FAMÍLIA, FUI QUESTIONADO NA PRÓPRIA COORDENAÇÃO SOBRE SE HÁ MESMO UMA CRISE, E POR ISSO MINHA PESQUISA FOI ENVIESADA NESSA DIREÇÃO - DESCOBRIR SE HÁ UMA CRISE, DELINEAR SEUS PARAMETROS E, SE POSSÍVEL, TRAÇAR SUAS CAUSAS


2. HÁ CRISE, MAS TEM CLASSE SOCIAL, ESCOLARIDADE E NIVEL FINANCEIRO DE NUANCE NELA. POR EXEMPLO AS TOP 5% MULHERES MAIS BEM PAGAS SAO O UNICO SUBGRUPO QUE APRESENTOU MELHORAS EM ÍNDICES COMO DIVÓRCIO, VIOLÊNCIA DOMÉSTICA, ETC. TODOS OS OUTROS, VEM PIORANDO


3. no livro sacrilegio e sacramento um dos escritores fala que casamento virou um bem de consumo como qualquer outro - se vc compra um relógio só pra jogar no chão e quebrar, isso não é imoral, nem ilegal. é no máximo excêntrico. 

4. foca-se muito em aspectos espirituais e culturais ligados a essa crise, mas eu tomei a abordagem dos estatísticos e matemáticos americanos, o principal deles talvez seja o gary becker, que tem nobel de economia e inúmeros trabalhos sobre a família. essa abordagem "analítica" cataloga os dados, olha pra eles, interpreta, depois procura mais dados, e vai formando a figura. 


o tema do desemprego masculino como um dos, senão O maior fator de determinação da ''saúde matrimonial'' de uma região.

a razão sexual operacional que pode explicar isso














X. DICAS FINAIS SOBRE SOBREVIVENCIA NA UNIVERSIDADE

CONVERSEI SOBRE O TEMA DA TESE COM ELA E ELA ME INDICOU A ANTROPÓLOGA MARIA HELENA VILLAS BOAS CONCONE, QUE TINHA VAGA ESSE SEMESTRE E PROVAVELMENTE IRIA GOSTAR DO TEMA. RECOMENDAR ESTE CURSO DE AÇÃO PARA TODOS: FALAR COM A COORDENAÇÃO DO CURSO ANTES DE COMEÇAR O MESTRADO, PRA SABER SE OS PROFESSORES ESPECIALIZADOS NOS TEMAS X E Y QUE VOCÊ QUER ESTUDAR ESTÃO OU NÃO DISPONÍVEIS. NAO IMPORTA QUAO BEM VOCE VÁ NA PROVA, SE O PROFESSOR JA ESCOLHEU OS ALUNOS QUE QUER ORIENTAR, VC NAO TEM CHANCE ALGUMA, LITERALMENTE ZERO. PRINCIPALMENTE EM FACULDADES MAIORES, É SEMPRE BOM PERGUNTAR PRA COORDENAÇÃO: JA TEM ALGUMA AREA QUE TA SATURADA E NEM ADIANTA EU TENTAR? QUAIS PROFESSORES TAO SEM NINGUÉM PRA ORIENTAR? (APOSTAR NISSO É O MAIS SEGURO). OU SEJA, FAÇA RECONHECIMENTO DO TERRENO COM A COORDENAÇÃO ANTES DE MAIS NADA, PORQUE A COORDENADORA VAI QUERER EVITAR CONFLITOS GERALMENTE... E SE VOCE TIVER PREOCUPAÇÃO COM 'DISCRIMINAÇÃO IDEOLÓGICA', COMO EU TIVE, ELA JÁ PODE TE CONTAR QUAL ORIENTADOR PODE SER MAIS SIMPÁTICO À SEUS IDEAIS. 

quarta-feira, 20 de novembro de 2019

máximas estoicas [epicteto ++]


MÁXIMAS ESTOICAS II: EPITETO

„Se o problema possui solução não devemos nos preocupar com ele. E se não possui solução, de nada adianta nos preocuparmos.“
Ou seja quando você tem um problema, você deve imediatamente começar a identificar se tem ou não solução; se tiver, não se preocupe com o problema, mas em solucioná-lo. Caso não esteja em seu poder solucioná-lo, não há pra que se preocupar
„Não busqueis a felicidade fora, mas sim dentro de vós, caso contrário nunca a encontrareis.“

“Qualquer pessoa capaz de te irritar se torna teu mestre; ela consegue te irritar somente quando você se permite ser perturbado por ela.“
„Um adulador parece-se com um amigo, como um lobo se parece com um cão. Cuida, pois, em não admitir inadvertidamente, na tua casa, lobos famintos em vez de cães de guarda.“

“O que importa não é o que acontece, mas como você reage.“ —  Epiteto

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„O caminho para a felicidade é parar de preocupar-se com o que está além do nosso poder.“
„Querias ser livre. Para essa liberdade, só há um caminho: o desprezo das coisas que não dependem de nós.“

„Quando você se ofender com as faltas de alguém, vire-se e estude os seus próprios defeitos. Cuidando deles, você esquecerá a sua raiva e aprenderá a viver sensatamente.“ —  Epiteto

Só há um caminho para a felicidade (que isso esteja presente no teu espírito desde a aurora, dia e noite): é renunciar às coisas que não dependem da nossa vontade.“

„Não percebes que aquilo que para o homem é o princípio de todos os males, e da sua baixeza de alma, e da sua cobardia não é a morte, mas muito mais o temor da morte?“

„O desejo e a felicidade não podem viver juntos.“











1.       EPITETO
“A principal tarefa na vida é simplesmente identificar e separar assuntos para que eu possa dizer claramente a mim mesmo quais são externos e não estão sob meu controle e quais têm a ver com com as escolhas que eu realmente controlo”.

O Encheirídion serve não como uma introdução aos que ignoram
a filosofia estoica, mas antes àqueles já familiarizados com os
princípios do Estoicismo, para que tenham uma síntese que
possam sempre levar consigo e utilizar

- no manual:
 [1.1] Das coisas existentes,algumas são encargos nossos1; outras não. São encargos nossos o juízo2, o impulso3, o desejo4,a repulsa5 –em suma:tudo quanto seja ação nossa. Não são encargos nossos o corpo, as posses, a reputação, os cargos públicos –em suma:tudo quanto não seja ação nossa.  [1.2] Por natureza, as coisas que são encargos nossos são livres6, desobstruídas7,sem entraves8. As que não são encargos nossos são débeis9, escravas, obstruídas10,de outrem11. [1.3] Lembra entãoque,se pensares12 livres as coisas escravas por natureza e tuas as de outrem, tu te farás entraves13, tu te afligirás14, tu te inquietarás15,censurarás tanto osdeuses como os homens. Mas se pensares teu unicamente o que é teu,e o que é de outrem, como o é, de outrem, ninguém jamais te constrangerá16, ninguém te fará obstáculos, não censurarás ninguém, nem acusarás quem quer que seja, de modo algum agirás constrangido, ninguém te causará dano, não terás inimigos, pois não serás persuadido em relação a nada nocivo. [1.4] Então, almejando coisas de tamanha importância, lembra que é preciso que não te empenhes de modo comedido, mas que abandonescompletamente algumascoisas e, por ora, deixesoutras para depois. Mas se quiseres aquelas coisas e também ter cargos e ser rico, talvez não obtenhasestas duas últimas,portambém buscaras primeiras, e absolutamente não atingirás aquelas coisas por meio das quaisunicamenteresultam a liberdade e a felicidade17. [1.5]


2. marco Aurélio

Torne-se bom agora:
“Não se comporte como se estivesse destinado a viver para sempre. Tudo que acontece depende de você. Enquanto você viver e enquanto você puder, seja bom agora.” – Marco Aurélio.
- fazer o bem no dia a dia, ser justo no pequeno ao invés de ser injusto agora em nome do bem futuro
3.       SÊNECA
!NÃO JULGAR!
“Deixe sua filosofia lidar com suas próprias falhas ao invés de ser uma maneira de reclamar dos erros dos outros”, escreveu Sêneca.
A direção adequada da filosofia é focada para dentro de nós — para nos tornarmos pessoas melhores e deixar que as pessoas façam o mesmo por si mesmas.
Deixe as outras pessoas com as falhas delas

4.   EPITETO AMOR FATI

“Não procure fazer com que as coisas aconteçam exatamente como você deseja. Deseje que tudo aconteça da forma como acontecerá e sua vida fluirá bem”, disse Epiteto.

Não é apenas aceitar, é amar tudo o que acontece, o que o Nietzsche chamava de amor fati.

Mas como isso, como é possível? Uma das formas que eu pessoalmente faço é a de contemplar as causas e efeitos das coisas, cuidadosamente, vendo as causas das causas e os efeitos dos efeitos. Ao fazer isso você começa a ver como cada coisa ruim contém em si a semente da coisa boa que vem depois, e como cada coisa boa já contém a semente da coisa ruim em que irá degenerar. E você vai ver todo mundo tentando mudar as coisas, fazendo aquilo que eles julgam ser a solução, a luta contra algo... e você verá que essa luta é na verdade justamente parte do processo das causas do problema contra o qual se luta. A luta contra o problema é algo que precede o problema, que surge daquilo, justamente, que produziu o problema. E isso é fascinante. Contemplar a beleza do funcionamento das coisas é algo que requer atenção, cuidado e reflexão, mto mais do que estudo. Paciência, perseverança, esse tipo de coisa.














Caminhe:

Ao longo dos tempos, filósofos, escritores, poetas e pensadores descobriram que a caminhada oferece um benefício adicional — tempo e espaço para um trabalho melhor.




Como Sêneca escreveu para seu amigo Lucínio:
“Em todas as coisas, devemos tentar tornar-nos tão gratos quanto possível.”
Seneca cita Hecatão: ame para ser amado

Mesmo para o pior ato da pessoa mais mal-intencionada. Se você continuar mostrando bondade e der uma segunda chance, você estará gentilmente mostrando onde eles erraram.”

6. Cuidado com suas palavras:

“É melhor tropeçar com os pés do que com a língua”, escreveu Zeno.
Você sempre poderá se levantar, mas lembre-se: o que foi dito não pode ser desfeito. Especialmente coisas cruéis e prejudiciais.


Cartas a Lucílio [anotações]

Queres saber qual a justa medida das riquezas? Primeiro: aquilo que é necessário;
segundo: aquilo que é suficiente!


Seneca cartas

As Cartas a Lucílio -
Epistulae morales ad Lucilium
são geralmente consideradas a obra mais importante de quantas subsistem da autoria de Lúcio Aneu Séneca. Tal importância deriva de circunstâncias várias: o facto de se situarem cronologicamente entre as produções da última fase da vida do autor e reflectirem, portanto, a forma mais amadurecida do seu pensamento; o facto de essa fase da vida de Séneca (que iria culminar no suicídio) se ter revestido de formas especialmente dramáticas que encontram eco, mais ou menos explícito, no texto; o facto de, pela sua pr6pria amplitude, ,. conterem uma soma de reflexões sobre enorme variedade de problemas, na sua totalidade de carácter ético;

1.
concentra e aproveita todo o tempo dê o justo valor ao tempo preenche todas as tuas horas! Se tomares nas mãos o dia d hoje conseguirás depender menos dia de amanhã. De adiamento em adiamento, a vida vai-se passando.

Nada nos pertence, Lucílio, só o tempo é mesmo nossa.

2.
Não viajas continuamente nem te deixas agitar por constantes deslocações. Um semelhante deambular é indício duma alma doente: eu, de facto,[ entendo que o primeiro sinal ' de um espírito .. bem formado con_§,iste em ser capaz de ~~hlt~~--~~Psig~-~~sm~
parar e de  Ora a quem passa a vida em viagens acontece ter muitos conhecimentos fortuitos, mas nenhum amigo ver dadeiro; fixes em determinados pensadores, que te nutras das suas ideias, se na verdade queres que alguma coisa permaneça definitivamente no teu espírito.

Provar muita coisa é sintoma de estômago embotado; quando são muitos e variados os pratos, só fazem mal em vez de alimentar. Lê, portanto, constantemente autores de confiança e quando seruires vontade de passar a outros, regressa aos primeiros.

~É isso o que eu mesmo faço : de muita coisa que li retenho uma ,.c;erta máxima. A minha máximaem(~picii~o de hoje encontrei-a )(é um hábito percorrer os acampamentos alheios, não- cô.mo desertor, mas sim como batedor!). Diz ele: "É um bem desejável conservar a alegria em plena pobreza"
Queres saber qual a justa medida das riquezas? Primeiro: aquilo que é necessário;
segundo: aquilo que é suficiente!
3.
Delibera em comum com o teu amigo mas começa por formular sobre ele um juízo correcto: após o início da amizade, há que ter confiança. Antes, sim, é que se deve ajuizar.
Pensa longamente se alguém é digno de que o incluas no número dos teus amigos; quando decidires incluí -lo, então recebe-o de coração aberto e fala com ele com tanto à-vontade como contigo próprio.

Pelo teu lado, vive de tal maneira que não tenhas de confiar a ti mesmo nada que não pudesses confiar até a um inimigo pessoal; como, todavia, há certas coisas que,
por hábito, são consideradas íntimas, compartilha com o teu amigo todos os teus cuidados, todos os teus pensamentos.

Não devemos fazer uma coisa nem outra; qualquer delas -ou confiar em todos ou não confiar em ninguém - é um erro; apenas diria que a primeira é um erro mais honroso, e a segunda,
mais seguro.
"houve quem se refugiasse na escuridão com a ideia de que tudo quanto está em plena luz é marcado pela confusão"

4.

Nenhum mal é verdadeiramente grande quando é o último. A morte aproxima-se de ti. Ela seria, de facto, temível se pudesse estar sempre contigo; já temos a autoridade da velhice mas mantemos vícios de crianças;  as crianças temem coisas sem importância e os recém-nascidos coisas inexistentes; nós, tememos umas e outras. as crianças temem coisas sem importância e os recém-nascidos coisas inexistentes; nós, tememos umas e outras...ultrapasse.
"É difícil" -dirá -"levar o espírito a conseguir desprezar a vida." Mas tu não vês como, continuamente, ela é desprezada por motivos fúteis? É um que se enforca diante da porta da amante, é um servo que se atira do telliado abaixo para deixar de aturar os rallios do senhor, é um escravo fugitivo que, para não ser recapturado, se trespassa com um punhal! Pois bem, achas que a virtude é incapaz de conseguir aquilo que um terror pânico consegue?

Ninguém pode obter uma vida segura se continuamente pensar em prolongá-la, se considerar entre os bens mais preciosos um grande número de anos.
Medita diariamente nisto, para seres capaz de abandonar a vida com serenidade de espírito:

Queres ter uma vida agradável deixa de preocupar -te com ela! Nenhum objecto dá bem estar ao seu possuidor senão quando este está preparado para ficar sem ele;

HOMOSSEXUALIDADE VIRIL [anotações]


GAY VIRIL?


Em suma, o meu ponto é que todo esse papo LGBT gayzista serve não pra promover a homossexualidade, mas pra controlar um certo tipo de homossexualidade, que por convenção vou chamar de homossexualidade viril.

A promoção da homossexualidade do jeito específico que fazem esses movimentos, que é uma homossexualidade bem feminina e infantil (os dois opostos do homem macho), é justamente o que garante que pegue muito mal pra qualquer macho, seja ele hetero ou gay viril, fazer parte dessa história de desconstrução. É que o gay viril é um cara ‘normal’ como os heteros, um macho-padrão em quase todos os outros aspectos. Ele é, nas palavras das feministas, um misógino como nós. E mais, ela o acusa de se auto-odiar, quando ele apenas – em geral -, não é muito fã de mulherzice, como qualquer cara hetero (com a diferença de que ele não é obrigado a aceitar, como nós- ponto crucial como veremos)

E isso que eu estou falando se repete em todo o ocidente: promove-se a homossexualidade de um certo jeito que garante sua PÉSSIMA reputação entre os machos, muito pior do que seria. Quando a homossexualidade estava se espalhando com uma ótima reputação pela música e pela arte, nos anos 90 e começo dos 2000, isso sim poderia ser chamado de gayzismo. Mas o que acontece agora me parece ser uma reação direta, contrária a isso. Um antigayzismo, uma tentativa de represar as águas da homossexualidade dentro de uma cerca justamente pq ela estava, talvez, saindo fora de controle.
Mas é muito mais onipresente que isso. Pense nos países mais extremos no controle da sexualidade, que condenam severamente a prática, como os países árabes. Boa parte deles permite totalmente que o homossexual “troque de sexo” para não ser punido. Ou seja, é tudo bem ser um homossexual feminino mesmo nesses países mais extremos, desde que você se submeta a essa ‘desonra’, para o macho pelo menos, de se feminizar. As coisas lá não são tão diferentes daqui quanto parecem, muito pelo contrário.

Perceba o seguinte: só existe uma única opção proibida nessa confusão toda do controle da sexualidade. O cara pode ser macho e gostar de mulher, pode ser feminino e gostar de mulher, e pode ser feminino e gostar de homem. Mas ele não pode ser macho e gostar de homem. Porque isso seria um problema tão grande que se reflete aqui e na arábia saudita tão claramente? Qual o  grande problema da homossexualidade viril?

Eu fiz um vídeo sobre isso chamado “o bárbaro e a princesa”, vou deixar o link na descrição e no topo dos comentários, mas aqui eu vou abordar o assunto por outro livro: androfilia de jack danovan.
Jack danovan é um macho opressor padrão, mas curte homem. Odeia LGBTzismo como qualquer bolsominion de família, e a questão central do livro é justamente a de negar a identidade homossexual e abraçar a homossexualidade. Ele não acha que o fato de ele gostar de homem define ele, por isso ele não se ve no bando lgbt, e tem inúmeros amigos como ele.

E meu palpite é que é justamente esse tipo que, por alguma razão, tanto o ocidente quanto oriente parecem querer suprimir e esconder. Porque? Uma das coisas que ele escreve é crucial pra iluminar essa questão. Ele diz que se fosse proibido ser gay no país dele, ele não tria problema em casar e provavelmente seria até capaz de curtir o sexo. Rapidamente os policiais das sexualidades vem trazer rótulos, mas eu peço que os suspendam por enquanto. O ponto é que se esse for o caso, se a punição severa pode enviesar a decisão de um cara como esse, outros caras também podem ter suas decisões enviesadas e não só por isso, mas por outros mecanismos de controle diferentes da lei – como por exemplo, a destruição da reputação, a associação ao vergonhoso.

Pense o seguinte: o que é a homofobia do valentão da escola? É a de associar a homossexualidade ao feminino. ele acusa o molque feminino de ser gay ou ataca a masculinidade do gay associando-o ao feminino. É a mesma coisa. O ponto é que esse ‘bullying homofóbico’ é EXATAMENTE o mecanismo do lgbtismo mainstream, porque ele faz de tudo pra associar o homossexual ao feminino, às proteções conferidas ao feminino, ao tratamento e representação conferido ao feminino, e até permitindo porta-vozes femininos mas jamais machos tóxicos para falar em seu nome. É na verdade muito óbvio , tudo aponta pra esse mesmo lugar: associar o ato da sodomia, o deitar-se com homem, à imagem e reputação do feminino (que é péssima entre os machos).  

O a questão então é pra que serviria isso, porque isso estaria em todo lugar? Qual função serviria esse inviabilizar da homossexualidade viril, tanto não a representando quanto fazendo qualquer macho opressor normal que curta homem ficar totalmente quieto?

E o meu palpite é o seguinte. O que a homossexualidade do cara feminino, a heterossexualidade do machão e a heterossexualidade de um cara feminino pau mandado da esposa tem em comum?

todas elas devem se submeter ao feminino. a homossexualidade viril, entretando, está totalmente acima dela.

E o meu palpite é que existem mecanismos sociais adaptados a controlar o homem através do feminino, seja botando uma esposa na casa dele pra ele cuidar dos filhos dela e ser influenciado por essa vida, seja promovendo que ele possa ser um homossexual feminino. em ambos os casos ele se submete a influencia do feminino. mesmo quando se submete a autoridade do pai, a criança se submete a autoridade de um homem já condicionado pela convivência com a mulher, pela submissão ao feminino no sentido de que ele já se tornou o que precisa ser pra poder ‘coexistir’ com a mulher.

Tudo aquilo que quer controlar o homem através da mulher provavelmente quer também impedir a homossexualidade viril como a saída perfeita pra escapar desse controle, um ‘truque’, um cheat








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Como assim gay viril?
Vamos começar com a diferença entre sexo e gênero. Você já deve ter ouvido que sexo é o que a pessoa nasce, e gênero é o que ela ‘se identifica’ ou diz que é.
O que não te disseram explicitamente é que isso diz respeito estritamente às burocracias da lei. Não é pra fazer sentido mesmo, e não é essa a distinção teórica pra quem estuda esse assunto.
O melhor jeito de explicar gênero é com teatro: um homem fazendo o papel de um personagem fêmea está no sexo masculino e no gênero feminino. Simples assim.
Se um cara diz que agora acordou como uma mina pra se beneficiar da lei ou seduzir menininhas, isso é algo típico de um personagem masculino. Se uma menina diz que aquele dia se identifica com o gênero unicórnio e sai pondo o dedo na cara de quem ousa questionar, isso é típico de uma menina. Eles não estão saindo de seus próprios gêneros a falarem assim. O que as pessoas dizem não é o personagem, apenas faz parte do “personagem”.
E O personagem é o gênero.
O personagem herda, inevitavelmente, muitas coisas que a biologia e a história de vida do ator trazem pra ele... mas é possível mudar de personagem, ainda que você possa interpretar um muito melhor que outro (existe o conceito de ‘passável’ pra transexuais que está muito mais próximo da distinção sociológica real entre sexo e gênero do que a distinção burocrática baseada em auto-declaração.
Ok, mas e onde entra o gay viril?
Jack donovan escreveu esse livro chamado androfilia em que ele rejeita a identidade homossexual e abraça a identidade masculina apesar de ser basicamente casado com outro cara (mas não chama de marido, chama de ‘compadre’). Ele é um cara super machão normal como se fosse hetero, mas curte homem. Diz até que nem teria problema em casar e ter filho se fosse necessário, mas já que não precisa, então está de boa. E é aí que entra o meu ponto.
Todas as coisas que a gente vê no ‘gayzismo’, na promoção da aceitação da homossexualidade com fundos públicos e de grandes corporações, do ponto de vista de um cara hetero normal , não são promoção. Tanto que existem muitos de nós horrorizados, ou caindo na gargalhada. E é obvio, previsível e inevitável que isso aconteça. Isso é feito dessa forma que nos parece em geral ridícula e vergonhosa não só sabendo disso, como prontos pra impedir qualquer conversa sobre esse fato. E quando você usa direito a distinção entre sexo e gênero, e eu acho que jogar ela totalmente fora justo agora é precisamente parte dos mecanismos pra obscurecer que isso tá acontecendo, você percebe que tudo aquilo que irrita o cara heterossexual normal macho vai irritar um personagem homem que curte homem. Um gay viril. Esse cara não existe nos movimentos lgbt, ele parece ser inclusive seu MAIOR inimigo possível.
Então será que é promoção da homossexualidade mesmo? Ou será que não é precisamente promoão da homossexualidade feminina de uma forma que garanta o controle da homossexualidade viril?

Eu tenho outro indício de que isso não é só viagem. Pega os países mais extremos no controle da homossexualidade: muitos deles, como a arábia saudita poir exemplo se não me engano, permitem que o cara troque de sexo para praticar atos homossexuais. Pense nisso: se ele for fazer o personagem mulher na peça da vida, NADA será feito contra ele. Se ele quiser ser personagem homem e fazer isso, ele é condenado A MORTE.
Esse tipo de mecanismo raramente é aleatório. É aqui que a gente entra em sociologia mais estritamente falando. As instituições , os costumes, as ideias, e tudo mais, que existem nas sociedades de todos os tipos e todas as eras, geralmente estão envolvidas no sucesso da sobrevivência e reprodução das sociedades. Pode não ser, mas é um indício. E todo mundo sabe que controlar a homossexualidade de um jeito ou de outro, em um grau ou outro, é algo bem comum em muitas sociedades de muitas eras. Então porque? Se isso existe, deve ter alguma utilidade.
A resposta automática é ‘pra fazer mais filhos’. Mas isso é absurdo, meus amigos. Primeiro que um único homem poderia engravidar todas as mulheres, segundo que cada homem só precisa fazer sexo meia dúzia de vezes no ano pra engravidar sua mulher, e nem precisa conviver com ela ou gostar dela pra isso. Eu acho que a gente tá olhando pro lugar errado quando pensa por aí. A questão não é garantir que os caras transem com as mulheres, isso é a isca do mecanismo. O mecanismo, a instituição em questão, é o de submeter o homem ao feminino, de um jeito ou de outro. Como assim?
O que tem em comum a arabia saudita com o ocidente no tratamento da homossexualidade? Ambos parecem trabalhar na direção da homossexualidade feminina e contra a homossexualidade viril. Provavelmente então esse é o personagem que precisa ser controlado. E porque? A gente supõe que deve existir algum mecanismo pra isso, pela premissa anterior, e agora a gente especula sobre possíveis usos pra isso.